quinta-feira, outubro 26, 2006

No meu trabalho, ás vezes eu preciso ligar para um cliente, mas o problema é que ele é meio surdo. Meio não. Ele é completamente surdo, e convenhamos, falar com alguém que não ouve bem ao telefone é quase impossível.

Sempre que eu preciso ligar pra ele, eu torço pra que a esposa esteja em casa, assim ela pode transmitir meu recado a ele. Mas a mulher é uma mala, e apesar de eu já ter dito a ela educadamente que não quero falar com ele ao telefone porque ele tem um leve problema de audição e tem dificuldade pra me ouvir, a fulana sempre faz questão de colocar ele pra falar comigo. E hoje não foi diferente.

- Alô, Seu Lázaro. Sua cliente ligou e disse que vai fazer o seu pagamento no próximo dia 30/10.

- A eu sei que ela não pagou esse mês. A senhora já ligou pra ela?

- ENTÃO SEU LÁZARO, TÔ FALANDO QUE EU JÁ LIGUEI E ELA VAI PAGAR O SENHOR NO PRÓXIMO DIA 30 DE OUTUBRO!!!

- Dona Márcia a senhora precisa ligar pra ela. Essa moça nunca me paga. Sei que ela comprou pizza no último fim de semana, tem TV a cabo, mas o que me deve ela nunca paga. E além do mais eu pago vocês pra isso!

Pois é. Além de surdo o véio é fofoqueiro e mal educado.

Nessas horas eu sempre fico imaginando que um dia ainda vou conseguir ter um emprego perfeito. Mas será que ele existe?

Veja o exemplo dessa minha amiga. Começou trabalhar cedo num banco e hoje tem um dos cargos mais altos lá como gerente. Com 30 anos ela já tinha seu próprio apartamento quitado. Troca de carro todos os anos, e tem uma gorda e confortável conta bancária.

A princípio esse seria um emprego dos sonhos pra muita gente, inclusive pra mim. Mas quando a encontro a reclamação dela é sempre a mesma.

Ela diz que não agüenta mais a pressão de ter que bater metas e mais metas no banco à custa do sofrimento dos outros.

O cliente senta a sua mesa, com a conta toda f%$#@, pedindo um empréstimo pra poder levar o filho ao médico. Ele conta que perdeu o emprego e por isso ficou sem o plano de saúde, e a situação dele é tão complicada que é provável que ele seja despejado. Mas a resposta dela, com um largo sorriso no rosto, têm que ser sempre à mesma:

- Ahh claro que podemos te fazer um empréstimo. Mas nesse caso não seria melhor o senhor fazer um seguro de vida? Pelo que estou vendo a sua situação é bem delicada. Já pensou se o senhor sofre um infarto? Como vai ficar a sua família?

Ela diz que o cara chega lá com três problemas e vai embora com quatro, porque além dos problemas que ele já tinha, agora ele tem mais um pra se preocupar. Ele começa a pensar: puxa, já pensou se eu morro mesmo!!!, e acaba comprando o tal seguro!!!

E tem uma outra que é comissária. Ahh deve ser maravilhoso ter um emprego desses e poder acordar cada dia num lugar, não é mesmo? Ter como vista da janela do seu escritório somente nuvens ou oceanos espalhados pelo mundo todo e ter a oportunidade de conhecer vários lugares sem gastar um tostão. E no final do expediente ainda estar linda e gloriosa como se tivesse acabado de sair do banho, porque convenhamos, comissárias estão sempre impecáveis.

Ledo engano...

Essa minha amiga em especial estava cheia de olheiras quando a encontrei da última vez. O ritmo dos vôos chega a ser desumano considerando a rota que ela faz que tem uma tremenda diferença de fuso horário. Sem contar dos passageiros mal educados que ela também tem que atender, sem esquecer do largo sorriso no rosto, até mesmo quando ela é chamada com um tapinha ou beliscão no traseiro.

É, pensando bem, é melhor eu continuar berrando no telefone com o Seu Lázaro :)

quarta-feira, outubro 25, 2006

Qual o nome do bichinho que pesava 1000 gramas mas perdeu 100?





Ok, Ok. Agora prometo voltar aqui somente quando tiver algo menos infame pra dizer :)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Toda segunda-feira é a mesma coisa. Eu vivo pensando numa maneira de não precisar mais levantar para ir trabalhar, mas ainda não encontrei um jeito.

Aí começo imaginar que talvez pudesse ganhar na mega sena, mas como não jogo, logo em seguida desisto da idéia. Então começo fazer as contas de quantos anos ainda faltam para eu me aposentar, mas quando chego no resultado tenho vontade de chorar ...

Mas nem tudo está perdido. Posso fingir que tô maluca lá na empresa e quem sabe conseguir uma aposentadoria mais cedo. É só seguir o passo-a-passo que meu tio desenvolveu para me ajudar :)

1) Quando houver só uma pessoa no elevador, de um tapinha no ombro dela e finja que não foi você.

2) Aperte os botões do elevador e finja que eles dão choque. Sorria e faça de novo.

3) Se ofereça para apertar os botões para os outros, mas aperte os botões errados.

4) Segure a porta e diga que está esperando por um amigo. Depois de um tempo, deixe a porta fechar e diga: "Olá Zé. Como vai você?"

5) Traga uma câmera e tire fotos de todos no elevador.

6) Traga uma mesa para dentro do elevador e quando alguém entrar, pergunte se ele tem hora marcada.

7) Quando a porta se fechar, fale: "Tudo bem. Não entrem em pânico. Ela abrirá novamente".


8) Mate moscas que não existem.

9) Abra sua pasta ou bolsa, e enquanto olha dentro, pergunte: "Tem ar suficiente aí dentro?"

10) Desenho um pequeno quadrado no chão com giz, e diga para os outros: "Este é o meu espaço".

11) Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer que fritas acompanhem.

12) Desenvolva um estranho medo de grampeadores.

13) Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exatamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois que o seu chefe usá- las. Isso é especialmente efetivo se o seu chefe for do sexo oposto.

14) Pergunte às pessoas de que sexo elas são. Ria histericamente depois que elas responderem.

15) Quando estiver em um drive-thru com algum colega do trabalho, especifique para o atendente que o pedido de vocês é para viagem.


Essa é só a primeira fase. Vamos ver se funciona :)

sábado, outubro 21, 2006

Depois um sujeito desses diz que não tem sorte na vida ...

Crônica de um Homem Casado.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu devia consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes. O carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim. Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.

Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes e lhe entreguei.

- Quando você terminar de cortar a grama, eu disse, você pode também varrer a calçada.

Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Depois desse último post, muita gente aqui deve ter achado que ler Danusa Leão me faz mal.

Mas olha gente, não é nada disso não! Eu adoro as coisas que ela escreve e além do mais, ela é uma mulher muito fiiiiina e elegante que ensina pra gente muita coisa sobre etiqueta e principalmente como se portar a mesa.

Muita gente pode achar que isso é frescurada, mas não é não. Vai ter um dia lá na frente que com certeza você vai precisar saber dessas coisas pra não passar vergonha ou raiva, como claro, um dia eu já passei.

Uma vez, quando eu ainda namorava meu marido, nós fomos jantar com toda a família dele, num restaurante bem chiquetoso. O lugar era bem espaçoso e cheio daquelas mesas redondas bem grandes. Se a pessoa fosse muito baixinha, era capaz de nem conseguir enxergar direito quem estivesse sentado a sua frente, de tanta tranqueira que tinha em cima delas.

Era um tal de pratinho, pratão. Tacinha, tação. Garfinho, garfão e uma faca cega e toda torta que não servia pra nada. O lugar era especializado em frutos do mar, mas a especialidade da casa era o camarão.

Todos nós pedimos camarão, e realmente ele estava delicioso. Eram uns camarões rosa, gigantes e bem temperados. Acho que foi a primeira vez na vida que comi camarões de verdade, porque até então, o único camarão que eu conhecia era do salgadinho ebicen.

Bom, lá no meio da noite, eu me distraí e inadvertidamente cruzei meus talheres sobre o meu prato lotado de camarão. Comecei a conversar com um, depois com outro e quando eu olho, cadê meu prato!?

Vejo um garçom pronto pra entrar na cozinha, com nada mais, nada menos, meu prato cheio de camarões na mão!!! Meu primeiro impulso foi sair correndo atrás dele no meio do salão pra pegar meu prato de volta, mas nem deu tempo, porque logo em seguida ele desapareceu da minha visão.

Fui reclamar com meu marido (na época, namorado) e ele me disse que provavelmente eu tinha cruzado os talheres sobre o prato e isso significava que eu não iria comer mais, por isso o garçom o tinha levado embora.

Miserável viu! Até hoje eu desconfio que depois que ele entrou naquela cozinha ele deve ter comido todos os camarões que ainda estavam no meu prato!

Mas isso são águas passadas, e hoje com certeza eu sou uma mulher muito mais refinada. Portanto, se algum garçom fizer isso comigo hoje, eu já sei que devo usar um daqueles talheres sobressalentes pra espetar a mão dele!!!