quarta-feira, novembro 08, 2006

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

trecho de uma crônica do Rubem Braga - Meu ideal seria escrever




Quando eu resolvi criar o namastê, eu não tinha a menor à idéia do que escrever aqui. Eu queria fazer um blog, mas achava a minha vida desinteressante demais pra ser retratada aqui.

O tempo passou e acho que sem perceber eu comecei a fazer aqui, aquilo que eu faço de melhor quando estou na companhia dos meus familiares e amigos. Eu comecei a contar causos engraçados.

Só que ás vezes eu ainda acredito que esteja contando esses causos pra uma rodinha de amigos durante um churrasco de domingo. Só que mesmo nesses churrascos ás vezes existe um vizinho atrás do muro escutando tudo aquilo que a gente esta falando.

E isso também acontece nos blogs. Fica alguém ali escondidinho lendo tudo que você está falando, sem nunca dar um pio! Aí um dia essas pessoas resolvem te mandar um email .

Isso já aconteceu diversas vezes comigo. Eu já recebi emails de pessoas elogiando meus textos e dizendo o quanto são fansdo meu bom humor. Eu sempre duvidei do primeiro elogio, mas confesso que o segundo sempre me encheu de alegria :)

E também não foram poucas as vezes que eu li um recado de alguém aqui me agradecendo por eu ter melhorado seu dia. E cada uma das vezes que eu li um recado desses, vocês podem ter certeza, que fui eu quem ganhou o dia.

Portanto, quando eu li essa crônica do Rubem Braga pela primeira vez, além dela ter se tornado minha crônica favorita, eu também descobri que era isso que eu realmente queria fazer aqui no namastê. E a partir daí comecei a me empenhar mais e mais pra isso.

Bom, todo esse blá blá blá e pra dizer que meus causos (que alguns preferem chamar de crônicas) estão alçando voou e foram parar num livro.

É, agora podem parar de rir porque é verdade. Um dia perguntaram a uma amiga querida se ela conhecia alguém que escrevesse bons textos e ela indicou o namastê. Daí o Nelson veio aqui, leu tudo escondidinho e depois me escreveu convidando para participar de uma antologia com novos autores, e eu num surto de loucura, aceitei. É claro que o incentivo e a participação da minha musa inspiradora no livro também foi fundamental.

Honestamente eu não acho que tenha textos dignos de irem parar num livro. Conheço pessoas que escrevem muito, mas muito melhor do que eu e infelizmente até hoje não tiveram seus livros publicados...

Mas por outro lado, se esses meus causos conseguirem provocar em algumas pessoas a mesma reação daquela moça doente que mora numa casa cinzenta, eu acho que a minha participação nele já terá valido a pena :)

Um comentário:

Darlan disse...

MÁRCIA,
contar casos é assim feito o defrontar-se com espectros e, mais, ameaçá-los de entrar com eles numa vida em comum, a partir de então. Uma vez concertada tal união, o caso em questão logo se dilui rumo ao mundaréu cheio de vida, rumo à inexcedível algazarra da morte.
Os teus textos têm sal para muita água, pelo que não haja estranheza em estarem reunidos num livro. Parabéns.

Um abraço.
Darlan