domingo, março 25, 2007

O xadrez antes da internet

Meu amigo me contou que antes da era da internet ele jogava xadrez por correspondência. Oras, eu sei que xadrez é um jogo super metódico, que é preciso analisar todas as possibilidades antes da próxima jogada, mas pra mim que fico impaciente e começo a dar vários cliques no mouse quando uma página da internet demora em abrir, essa história me pareceu no mínimo bizarra!

Imagina você abrir um jogo e escrever numa carta “movi o peão quatro do rei” e esperar um mês para saber qual será a jogada do seu oponente? Sim, um mês se o seu parceiro de jogo morasse por perto, mas acredito que se um jogador estivesse no sul do país e jogasse com alguém do norte, a próxima jogada demoraria muito mais que isso.

Ele disse que por várias vezes saiu correndo atrás do carteiro na rua, desesperado pra saber se tinha alguma correspondência pra ele, trazendo a indicação da próxima jogada que o seu parceiro teria dado. Depois de um tempo, o antigo carteiro desapareceu do seu bairro, provavelmente desconfiado que ele fosse um psicopata.

E eu fiquei imaginando quando um deles recebia uma carta escrita "cheque-mate", como devia ser frustrante mandar uma resposta xingando a mãe do outro, e saber que aquilo demoraria uma eternidade até chegar ao destino. Eu não entendo de xadrez, mas pelo menos nesse aspecto as coisas devem ter melhorado bastante. Se você joga xadrez on-line, pelo menos você tem certeza de que a ofensa vai chegar quase que instantaneamente, e vamos combinar que o alívio que isso provoca é o mesmo de quando você solta um tremendo impropério quando da uma topada no dedinho.

Eu perguntei quanto tempo demorou a sua última jogada. Ele me respondeu que teoricamente ela ainda não acabou, já que o outro até hoje não respondeu a sua última carta. Mas o tabuleiro continua lá montado, pegando poeira. E pelo visto quem vai acabar com essa última partida serão os cupins.

Um comentário:

Darlan disse...

Os cupins, que estão sempre apanhando feio das formigas - bicho cabeçudo, persistente, teimoso que é a formiga. Penso que esta metáfora serve para ilustrar essa bela postagem acerca do antagonismo entre espera-pressa, uma necessidade premente-o que é volúvel...
Enquanto a Vida não se resolve de todo, melhor saborear um cupim de boi.