sexta-feira, abril 28, 2006

Eu, Marcia Namastê, exaurida de todas as minhas forças, desejo a todos um ótimo fim de semana prolongado.

Mas antes, copiei e colei a crônica deliciosa que o Ricardo Freire colocou no blog Viaje na Viagem essa semana. :o)



Abaixo a arroba

Se você tivesse o poder de mudar uma palavra, qual você escolheria? Eu não tenho dúvida: arroba. Convenhamos -- "arroba" é horrível. E no entanto estamos todos condenados a ser alguém-arroba -alguma coisa ponto com ponto br. É triste saber que vou carregar essa palavra a vida inteira, feito uma tatuagem na nuca ou um pino na perna.

Não, minha implicância não é com o símbolo @. Esse azinho enrolado é o logotipo perfeito para a Internet. Em inglês faz todo o sentido: @ é uma maneira de escrever "at" -- a nossa preposiçãozinha "em". Em português é que fica difícil ligar o nome à figura. Porque, ao contrário do símbolo @, a palavra "arroba" não tem xongas a ver com endereçamento. Arroba é uma medida de peso arcaica, inventada na Península Ibérica, que no Brasil vale 15 quilos. Toda vez que você dita o seu endereço eletrônico, você engorda: alguém-15 quilos-alguma coisa ponto com ponto br.

Nos países que têm a felicidade de não pesar nada em arrobas, o símbolo @ ganhou nomes bem mais simpáticos, inspirados no seu desenho de espiral. Os alemães acham que o @ é uma orelha (Ohr). Os turcos, por sua vez, enxergam uma rosa (gül). Nenhum @ é tão doce quanto o dos israelenses: strudel. Os italianos, cuja Internet deve ser mais lenta, chamam o @ de caracol (chiocciola). Os franceses, quando não querem pronunciar a detestável palavra "arobase" (a arroba deles) dizem simplesmente "a comercial". Já os suecos vão mais longe: dizem que o @ é um "a com tromba" (snabel-a). Vem cá -- quando até os suecos conseguem ser mais gozadores que os brasileiros, é porque alguma coisa está muito errada.

Eu julgava minha guerra contra a arroba perdida, até que, semana passada, uma notícia reacendeu minhas esperanças. Seguindo recomendações da Academia Francesa, o governo francês proibiu o uso da palavra "e-mail" em todos os documentos oficiais. No seu lugar deverá ser escrito "courriel" -- uma contração de "courier électronique" (correio eletrônico) que já era usada no Canadá de fala francesa.

A essas alturas do campeonato informático, é óbvio que não existe a mínima chance de esse novo nome pegar (já pensou ser obrigado a dizer "eletrocarta" no lugar de e-mail?). Mas pelo menos os dois ou três franceses que não gostam da palavra "e-mail" vão dispor de uma alternativa oficial e compreensível. E nós, os dois ou três brasileiros que não gostamos de engordar 15 quilos toda vez que damos nosso endereço eletrônico -- como ficamos?

Eu proponho: sai arroba, entra "a comercial". Ou: azão. A-bola. Bolão. Novelo. Rocambole (em Pernambuco: bolo-de-rolo). Topete. Itamar. Ralo. Rosca. Aspiral (a + espiral). Ou... peralá. Se americanos, ingleses e australianos conseguem ler @ como "at", nós podemos muito bem ler @ como... "ão". Não podemos? Mais castiço, impossível. Se o Brasil adotasse o "ão" no lugar da "arroba", talvez até a Academia Portuguesa nos imitasse.

O que você acha? Tem alguma outra sugestão? Mande um e-mail, ou um courriel, ou mesmo uma eletrocarta para: xongas ão edglobo ponto com ponto br

2 comentários:

Liduina disse...

Oi Márcia, um ótimo final de semana pra vc também:) A crônica é ótim@ hehehe!
bjs

Blogue da Magui disse...

Fez bem em divulgar esse texto. delicioso. Acho que vou divulgar tambem mas neste seu blogue.Se nao puder, avise.
http://somagui.blogspot.com